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Micasurance
Riscos e segurança

Raios: o que fazer, o que não fazer e os mitos

O Brasil lidera as estatísticas mundiais de incidência de raios. Saiba como estimar a distância da tempestade e quais comportamentos realmente protegem.

6 minutos de leitura Publicado em 25/03/2026

O Brasil está entre os países com maior incidência de raios no mundo, com cerca de 78 milhões de descargas por ano segundo levantamentos do INPE. A combinação de território tropical extenso, calor e umidade abundante é ideal para a formação de nuvens de tempestade. Cerca de cem pessoas morrem anualmente no país por essa causa, e a maioria dos casos envolve comportamentos evitáveis.

Como um raio se forma

Dentro de uma nuvem cumulonimbus, correntes ascendentes violentas carregam gotas de água, cristais de gelo e granizo, que colidem e trocam carga elétrica. As partículas mais leves e positivas sobem, as mais pesadas e negativas descem. A nuvem fica com base negativa e topo positivo, e a diferença de potencial em relação ao solo chega a centenas de milhões de volts. Quando o isolamento do ar não sustenta mais essa diferença, ocorre a descarga — em milésimos de segundo, com temperatura no canal de até 30.000 °C, cinco vezes a da superfície do Sol.

Como estimar a distância

A luz chega praticamente instantaneamente; o som viaja a cerca de 340 metros por segundo. Conte os segundos entre o clarão e o trovão e divida por três: o resultado é a distância aproximada em quilômetros. Nove segundos correspondem a cerca de 3 km. A regra prática de segurança é a dos 30 segundos: se o intervalo for igual ou inferior a 30 segundos, a tempestade está a 10 km ou menos e você já está em área de risco. Só volte a atividades ao ar livre trinta minutos após o último trovão, porque descargas podem ocorrer na retaguarda da nuvem, quando o céu já parece ter aberto.

Onde se abrigar

Os melhores abrigos são edificações com estrutura metálica ou de concreto armado e instalação elétrica aterrada. Automóveis fechados de carroceria metálica também protegem, porque a carga se distribui pela superfície externa e escoa para o solo — o efeito de gaiola de Faraday. Não protegem: coberturas isoladas de ponto de ônibus, quiosques, guarda-sóis, árvores, casas de madeira sem aterramento, veículos conversíveis e motocicletas.

O que evitar

Não fique em campo aberto, no alto de morros, dentro de água ou perto dela — piscina, mar, rio, lago. Afaste-se de cercas de arame, torres, postes, antenas e estruturas metálicas longas, que conduzem a corrente por dezenas de metros. Evite banho durante a tempestade, já que a tubulação e a água podem conduzir a descarga. Evite telefone com fio; celular sem estar ligado à tomada não atrai raios, ao contrário do que se repete. Se estiver em campo aberto sem abrigo possível, agache com os pés juntos, cabeça baixa e mãos nos joelhos, reduzindo sua altura e a área de contato com o chão — nunca se deite, porque isso aumenta a exposição à corrente que se espalha pelo solo.

Mitos que persistem

Raio cai duas vezes no mesmo lugar, e com frequência: o Cristo Redentor é atingido várias vezes por ano. Objetos metálicos pequenos, como relógios e joias, não atraem descargas — o que importa é altura e isolamento, não metal. Pneu de borracha não isola o carro; a proteção vem da carroceria metálica. E quem foi atingido por um raio não fica eletrificado: pode e deve receber socorro imediato, com massagem cardíaca se necessário, porque a principal causa de morte é parada cardiorrespiratória.

Perguntas frequentes

Celular atrai raio?

Não. Um celular desconectado da tomada não aumenta o risco. O perigo está em estar em local alto, aberto ou próximo de estruturas metálicas extensas.

Quanto tempo esperar depois da tempestade?

Trinta minutos após o último trovão. Descargas ainda podem ocorrer na parte de trás da nuvem, mesmo com o céu aparentemente aberto.