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Clima e variabilidade

El Niño e La Niña: o que muda no clima do Brasil

Como o aquecimento e o esfriamento do Pacífico equatorial alteram chuva e temperatura em cada região brasileira, e por que os efeitos são opostos no Sul e no Nordeste.

7 minutos de leitura Publicado em 25/02/2026

El Niño e La Niña são as duas fases de um mesmo fenômeno, o ENOS — El Niño Oscilação Sul. Ele acontece a milhares de quilômetros do Brasil, no Pacífico equatorial, e ainda assim é o fator que melhor explica por que um ano é mais chuvoso ou mais seco que outro em várias regiões do país.

Como o Pacífico interfere no Brasil

Em condições normais, ventos alísios empurram a água quente superficial do Pacífico para oeste, na direção da Indonésia, permitindo que água fria e profunda suba na costa da América do Sul. Durante o El Niño, esses ventos enfraquecem e a água quente se espalha para leste, aquecendo o Pacífico central e oriental. Esse aquecimento altera onde o ar sobe e onde desce em escala planetária, deslocando as correntes de jato e mudando o caminho dos sistemas de chuva. Na La Niña, ocorre o oposto: os alísios se intensificam e o Pacífico esfria mais que a média.

O que acontece em anos de El Niño

No Sul, chuvas acima da média, sobretudo entre a primavera e o começo do verão, com risco elevado de enchente. Em episódios fortes, o Rio Grande do Sul registra acumulados muito acima do normal. No Nordeste, o efeito é inverso: a estação chuvosa tende a falhar, e a seca no semiárido se agrava. Na Amazônia, estiagem mais severa, com rios em níveis baixos e maior incidência de queimadas. No Sudeste, o sinal é mais fraco e irregular, com tendência a temperaturas acima da média.

O que acontece em anos de La Niña

Os padrões se invertem. O Sul tende à estiagem, com prejuízo direto para a lavoura de soja e milho. O Nordeste tende a ter estação chuvosa mais regular ou acima da média. A Amazônia costuma ficar mais chuvosa. O Sudeste segue com sinal pouco definido, e no inverno há uma tendência de entrada mais frequente de massas de ar frio no Centro-Sul.

Intensidade e duração

Os episódios são classificados como fracos, moderados, fortes ou muito fortes, conforme o desvio de temperatura da superfície do Pacífico em relação à média. Cada ciclo dura de nove a dezoito meses, normalmente com pico entre novembro e janeiro, e se repete de forma irregular a cada dois a sete anos. Entre os eventos mais intensos já registrados estão os de 1982-83, 1997-98 e 2015-16.

O que o ENOS não é

Não é previsão do tempo. Saber que o ano será de El Niño não permite dizer se vai chover no próximo sábado em Curitiba. O que o fenômeno oferece é probabilidade sazonal: em anos de El Niño, a chance de a primavera gaúcha ser mais chuvosa que a média aumenta significativamente, mas a distribuição dia a dia continua incerta. Também não é causa única: a temperatura do Atlântico tropical, por exemplo, influencia fortemente a chuva no Nordeste e pode reforçar ou anular o efeito do Pacífico.

Por que acompanhar

Para agricultura, geração de energia, gestão de reservatórios e defesa civil, o ENOS é uma das poucas ferramentas disponíveis para antecipar risco com meses de antecedência. Para quem apenas quer entender o clima, ele responde a uma pergunta frequente: por que este ano choveu tão diferente do ano passado.

Perguntas frequentes

El Niño causa seca ou chuva no Brasil?

Depende da região. Traz chuva acima da média no Sul e seca no Nordeste e na Amazônia. O Sudeste tem sinal fraco, com tendência a temperaturas mais altas.

Quanto tempo dura um El Niño?

De nove a dezoito meses, com pico normalmente entre novembro e janeiro. Os ciclos se repetem de forma irregular a cada dois a sete anos.