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Micasurance
Riscos e segurança

Ondas de calor: o que são e como se proteger

O critério que define uma onda de calor, por que a umidade agrava o risco e o que fazer para atravessar dias de calor extremo com segurança.

6 minutos de leitura Publicado em 04/03/2026

Uma onda de calor não é simplesmente um dia quente. É um período prolongado, de no mínimo três a cinco dias consecutivos, em que a temperatura fica significativamente acima do normal para aquela região naquela época do ano. A definição é relativa de propósito: 34 °C em Curitiba configuram uma anomalia expressiva, enquanto os mesmos 34 °C em Cuiabá são apenas uma tarde comum.

Por que a duração importa tanto

O corpo humano tolera bem um dia de calor intenso. O problema aparece quando não há recuperação noturna. Se a mínima da madrugada não desce o suficiente, o organismo passa a acumular estresse térmico dia após dia, sem chance de se resfriar. É por isso que a mortalidade associada ao calor cresce a partir do terceiro ou quarto dia de um episódio, e não no primeiro. Em áreas urbanas, o efeito de ilha de calor agrava esse quadro: asfalto e concreto liberam à noite o calor absorvido durante o dia, mantendo bairros densos vários graus mais quentes que a periferia arborizada.

O papel da umidade

O corpo se resfria basicamente por evaporação de suor. Quando a umidade do ar é alta, essa evaporação fica lenta e o mecanismo perde eficiência. É isso que torna uma onda de calor no Rio de Janeiro, com 38 °C e 70% de umidade, mais perigosa que 40 °C secos no interior de Goiás. Nesse tipo de situação, a sensação térmica ultrapassa 50 °C, patamar em que a insolação deixa de ser risco remoto.

Quem corre mais risco

Idosos, porque a percepção de sede e a capacidade de suar diminuem com a idade. Crianças pequenas, pela relação desfavorável entre superfície corporal e volume. Pessoas com doença cardiovascular, renal ou respiratória. Quem usa diuréticos, betabloqueadores ou certos antidepressivos, que interferem na termorregulação. E trabalhadores expostos ao sol: entregadores, agentes de trânsito, trabalhadores rurais e da construção civil.

Sinais de alerta no corpo

A exaustão por calor se anuncia com suor intenso, pele fria e pálida, tontura, náusea, câimbras e pulso rápido e fraco. Nesse estágio, tirar a pessoa do sol, oferecer água e resfriar o corpo resolve. A insolação é o quadro grave: temperatura corporal acima de 40 °C, pele quente e frequentemente seca, confusão mental, fala desconexa e possível perda de consciência. É emergência médica — deve-se acionar o socorro imediatamente e iniciar o resfriamento enquanto ele não chega.

O que fazer durante o episódio

Beba água ao longo do dia, sem esperar a sede, que já é sinal de desidratação iniciada. Evite exposição ao sol entre 10h e 16h. Prefira roupas leves, claras e folgadas. Use ventilação cruzada nas primeiras horas da manhã e no fim da noite, quando o ar externo está mais fresco, e mantenha cortinas fechadas no período de sol direto. Reduza refeições pesadas, álcool e cafeína em excesso. Verifique pessoalmente como estão idosos que moram sozinhos — em episódios graves, esse contato é o que mais salva vidas. E nunca deixe crianças, idosos ou animais dentro de veículos estacionados: o interior de um carro fechado ao sol pode passar de 60 °C em menos de trinta minutos.

Perguntas frequentes

Quantos dias de calor formam uma onda de calor?

Em geral, de três a cinco dias consecutivos com temperatura bem acima da média histórica local para aquela época do ano.

Qual a diferença entre exaustão por calor e insolação?

Na exaustão há suor intenso, pele fria e tontura, e o quadro melhora com sombra e hidratação. A insolação envolve temperatura corporal acima de 40 °C e confusão mental: é emergência médica.