O que é o índice UV
O índice ultravioleta é uma escala criada pela Organização Mundial da Saúde para expressar a intensidade da radiação ultravioleta que atinge a superfície e sua capacidade de causar eritema — o vermelhume que antecede a queimadura solar. Cada ponto do índice corresponde a 0,025 watt por metro quadrado de radiação ponderada pelo efeito biológico na pele. A escala começa em zero e, na prática brasileira, chega a 14 em dias de verão no Centro-Oeste e no Norte.
As faixas de interpretação são: 0 a 2, baixo; 3 a 5, moderado; 6 a 7, alto; 8 a 10, muito alto; 11 ou mais, extremo. O Brasil convive com valores altos ou extremos durante boa parte do ano, por estar em latitudes tropicais, com o sol passando próximo do zênite ao meio-dia.
Fototipo de pele importa mais que o relógio
A classificação de Fitzpatrick divide a pele em seis fototipos conforme a resposta ao sol. O que muda entre eles é a dose eritematosa mínima, a MED: a quantidade de radiação necessária para produzir vermelhidão visível. Uma pele fototipo I tem MED de aproximadamente 200 J/m², enquanto a fototipo VI precisa de cerca de 1.000 J/m² — cinco vezes mais. Isso significa que duas pessoas lado a lado, sob o mesmo sol, têm limites de exposição completamente diferentes.
A fórmula usada
tempo (min) = MED ÷ (UV × 0,025 × 60) × FPS
Com MED em J/m², o índice UV adimensional e o resultado em minutos. O FPS multiplica o tempo disponível, porque é justamente essa a definição do fator: um FPS 30 aplicado corretamente permite trinta vezes mais radiação antes do eritema.
Exemplo: uma pessoa de fototipo II, com MED de 250 J/m², sob índice UV 10, sem protetor. O denominador é 10 × 0,025 × 60 = 15 J/m² por minuto. O tempo resulta em 250 ÷ 15 ≈ 17 minutos até o começo da vermelhidão. Com FPS 30 bem aplicado, esse limite teórico sobe para cerca de 8 horas — número que na vida real não se sustenta, e a explicação vem a seguir.
Por que o FPS não entrega o que promete
O FPS é medido em laboratório com 2 mg de produto por centímetro quadrado de pele. Quase ninguém aplica essa quantidade: estudos mostram uso real entre 0,5 e 1 mg/cm², o que reduz a proteção efetiva a algo entre um terço e metade do valor do rótulo. Somam-se suor, água, atrito de toalha e roupa. É por isso que a recomendação prática é reaplicar a cada duas horas, e imediatamente depois de nadar ou secar-se — não porque o produto "vence", mas porque ele sai da pele.
O que o cálculo não considera
O resultado é uma referência para pele desprotegida ao sol direto, em pessoa adulta e saudável. Fatores que aumentam a dose real: altitude, que eleva a radiação em cerca de 10% a cada 1.000 metros; reflexo da areia, que devolve cerca de 15% da radiação; reflexo da água, entre 10% e 30%; e neve, que pode refletir 80%. Nuvens finas reduzem pouco a radiação — um dia encoberto ainda pode queimar. Medicamentos fotossensibilizantes, como algumas tetraciclinas e diuréticos, reduzem drasticamente a tolerância.
Dicas de proteção
Sombra, roupa e chapéu protegem mais que qualquer filtro, e não dependem de reaplicação. No Brasil, a janela crítica vai das 10h às 16h, quando se concentra a maior parte da radiação UVB do dia. Óculos com proteção UV são importantes porque a córnea também sofre queimadura, e o cristalino acumula dano ao longo da vida. Por fim, vale registrar que o eritema é apenas o efeito visível e imediato: o dano ao DNA das células da pele acontece antes de qualquer vermelhidão aparecer, e é ele que se acumula ao longo dos anos.
Perguntas frequentes
Preciso de protetor solar em dia nublado?
Sim. Nuvens finas e altas deixam passar boa parte da radiação ultravioleta, e o índice UV pode continuar alto mesmo sem sol aparente.
O que é fototipo de pele?
É a classificação de Fitzpatrick, de I a VI, que descreve como a pele reage ao sol. Ela define a dose de radiação necessária para causar vermelhidão.